Thursday, March 26, 2009

Ao alcance das mãos



Vem que eu te alcanço. Não tem medo não, pode confiar em mim. Estende essa mão que a minha alma já está contigo. Sagrados são esses centímetros que nos separam. São sagrados porque determinam até onde vai a vontade e a força dessa vontade. Mas não tem medo não. Pode segurar que eu te puxo pra perto de mim.

Vamos corromper todos os apectos da física, dirimir alguns segredos da química e reduzir todas as probabilidades matemáticas a um sentimento único e alheio a todas essas coisas. Aperta a minha mão que eu te levo pra cima. Te levo pra todos os lugares em que estive e compartilho contigo as minhas experiências mais necessárias.

Vamos, segura minha mão que falta tão pouco. Essa essência mantenedora da ordem das coisas varia de acordo com esse momento. Varia e decide qual será a história que teremos pra contar daqui a pouco tempo. Estica seus dedos que o meu coração já está dilatado, aberto e saudoso da tua presença. Acolha essa mão que ganharás de presente todo o resto. E, mesmo que seja resto, será honesto, livre de parcimônias, detalhes e manuais. Será intenso, valoroso, arbitrário e corriqueiro. É só você segurar, assim, sem temer a nada. E, garanto, que será a última vez que terá medo ou dúvida quanto a isso.

Nos próximos dias, meses e anos, esse será o ato que fará mais inadvertidamente e sem querer. Agarrará a minha mão como se não estivesse fazendo nada. Será instantâneo, impensado e significará que, nesse dia, por algum motivo, nós nos demos as mãos.
Vem que eu te alcanço.

Pataca tem dedos longos.

Friday, March 20, 2009

Milhas e milhas.

Minha vida sempre foi a minha vaga memória das minhas viagens. Mesmo nas épocas em que não viajei – por motivos diversos -, fiz planos e mais planos, contei com pessoas e “estive” em lugares inimagináveis. Sempre tive uma tara louca por conhecer diferentes mundos, culturas, pessoas e a natureza rica de cada pedaço de terra ou de mar. As coisas fora do nosso cotidiano são tão lindas que inspiram sentimentos inexplicáveis pra mim. Cada cheiro, cada sabor, cada cor que a gente vê tem um significado único. Pobres os que viajam, viajam e não percebem a beleza e a oportunidade daquilo que vivem.

Eu tenho na minha cabeça uma viagem perfeita para fazer com cada pessoa que amo. E não se trata de criar expectativas ou coisas assim. Trata-se exclusivamente de conhecer aquele lugar junto. Trata-se de dividir uma experiência sagrada de conhecimento e criar um laço ainda maior que permanecerá imortal na sua história de vida. Esse é meu tesão. Ir o mais longe que puder pra depois voltar, pois não adianta realizar seus maiores projetos, proezas se, algum dia, você não voltar pra porta de casa. Ou, na melhor das hipóteses, tornar esse lugar a sua casa.

E eu quero isso mais e mais a cada dia que passa. Quero lugares novos, conhecidos com intensidade e maestria. Quero sobrepujar o turismo, invadir o desconhecido, despertar o medo e administrar todos os meus desesperos.

Nossa vida é muito curta pra gente ficar repetindo os mesmos caminhos. Essa ânsia que me domina é basicamente incontrolável. Os olhos de quem viaja mudam e com eles mudam também a sensibilidade. Você começa a se conhecer melhor, começa a apreciar coisas diferentes e cria parâmetros para dar valor a coisas pequenas e insignificantes até então.

Abrir os olhos numa manhã em outro lugar que não a sua casa tem benefícios incríveis à alma. E, se você puder escolher a pessoa que estará ao seu lado nesse dia, saiba que esse será um dos momentos em que você esteve mais próximo da felicidade plena.

Não esqueça das suas viagens. Não esqueça dos seus momentos. Não esqueça que as marcas deixadas na gente só importam se a gente se importar com elas, seja pro lado bom ou ruim.

Hoje, aqui nesse quarto escuro, solitário e cheio de vinho, eu sonho com a próxima viagem. Sonho com a próxima vez que abrirei os olhos e terei a certeza de que as coisas não são – e nunca serão – em vão. 

Pataca vai pra, who knows, voltar!

Monday, March 16, 2009

Eu vou, eu vou... pra lá agora eu vou!



Meus pés sujos, tanto quanto as minhas mãos, andam pelo asfalto, ora frio e ora quente, procurando algo que eu já sei que estará lá. O que dá a direção são as tão tracejadas linhas que perfazem o caminho da minha felicidade. Elas já estão lá, desenhadas uma após a outra e esperando que eu ligue os pontos e pinte, como se fosse um caderno de atividades para crianças.

Quando se é criança é apenas mais uma coisa que nós fazemos para exercitar a cabeça e para dar alguns minutos de sossego para nossos pais. Agora não. Agora é diferente. Agora as coisas exigem mais da gente. Exigem traços mais perfeitos, cores mais sutis e paisagens mais belas. Exigem também uma concentração e um foco para que os desejos se concretizem e não nos percamos pelo meio do caminho. 

Um passo após o outro e vamos deixando pra trás o que éramos minutos atrás. Aprendi, a duras penas, que eu mudo. Que as minhas ideologias e sentimentos amadurecem e me tornam, ao contrário do que sempre pensei, mais forte e sereno e não fraco e covarde. Aprendi que minha tristeza e a minha felicidade caminham juntas nessa estrada, sempre de mão dupla, como não poderia deixar de ser. 

Caminho entre esses dois mundos paulatinamente, sempre procurando o centro, a faixa branca que delimita as minhas atitudes. Há o medo constante que a estrada suma, acabe e não nos leve a lugar nenhum, mas mesmo assim ainda há o prazer inenarrável de ir. Sem muito otimismo e sem nenhum pessimismo. Aceitar as curvas e tentar desenhá-las de modo que possamos andar com relativa segurança e com os pés fincados no chão. Nem que seja apenas um deles.

Ao final, lá no horizonte, ainda bem longe da meta, a estrada ainda é de terra, sem traços, sem asfalto e sem limites. A construção é o que importa. O caminho é a glória. O destino é apenas inevitável.

Pataca está parado no pedágio!

Wednesday, March 11, 2009

Shazam!


Surgiu no palco, em meio às luzes, o mágico com a sua cartola longa e seu smoking preto. Coisa tradicional, puro estereótipo do que conhecemos por mágico. Número após número, o sagaz homem fazia de bobo todos os que olhavam e admiravam aquilo que parecia coisa do outro mundo. A “mágica” é a prova irrefutável de que fomos feitos para acreditar na mentira. Todos sabem que nada daquilo é verdade, mas a admiração e a credibilidade de alguém em cima do palco nos dá essa dura e muita vezes errônea impressão. Assim como na vida.

Nunca gostei de mágicos. Sempre os achei uma espécie de palhaços do mal. A minha curiosidade só me permitia tentar achar qual era o erro nas mágicas. Qual era o ponto que ninguém percebia – onde estava o exato ponto que eles nos passavam pra trás. Nunca descobri muito coisa.

Nunca gostei de ser burro. Quando alguém te faz de idiota é porque encontrou oportunidade pra isso, né não? E pra mim, assistir ao mágico é uma forma de me tornar burro e me deixar ser feito de idiota. Por isso nunca fui de fumar maconha, nunca tive ídolos e nunca falei mais do que devia. Não que isso deixe as pessoas burras – por favor! -, mas pra mim nunca funcionou do jeito que deveria. Nunca consegui ter tranqüilidade para apreciar essas coisas, pois nunca me permiti aceitar as coisas como elas deveriam ser, apesar de querer. Sempre fui o menino chato que pergunta tudo e quer ouvir tudo, assim, sem mágica. Gosto da realidade das coisas, sem muita fantasia. Mesmo porque a minha cabeça é a maior fantasia e o maior conto de fadas que alguém possa imaginar.

Quando pequeno – criança mesmo! – minha mãe me deu um caixa de mágico. Tinha uma varinha de condão, uma capa, uma cartola, um baralho cheio de truques e um manual de como fazer as mágicas. Essa provavelmente tenha sido a primeira coisa que li de verdade. Uma ironia foda da vida.

Essa caixa de mágico, a qual me lembrei hoje, me trouxe uma verdade incrível e que não pensava há muito tempo. A gente só acredita nas coisas por dois motivos: inocência pura – como era o caso – e a vontade de acreditar, seja lá por qual motivo – que o caso de hoje.

Minha mágica, a qual acredito piamente, é transformar em realidade os meus sonhos e crenças. Creio estar longe – físicamente – dos meus sonhos e sonho, todos os dias, estar cada vez mais perto da minha crença.

Pataca abracadabra.

Tuesday, March 03, 2009

Viagens - reais ou não, continuam sendo viagens!



O carro na estrada naquela tarde era apenas o prenuncio de algo maior. Um certo silêncio e desconfiança permeava o ar, só decorado pelo som baixo e bucólico que ecoava nas caixas de som. As duas pessoas dentro do carro se entreolhavam com o canto dos olhos, mas sem nunca fazer muitas perguntas. Tentavam tirar tudo que podiam um do outro sem dirigir nenhuma palavra ao outro. Apesar do silêncio, não era uma situação perturbadora. Muito pelo contrário. A falta de som era apenas um complemento de algo intrínseco no ar e que os dois sabiam que iria acontecer. E aconteceu.

Nos dias e noites intensas de amor que sucederam a viagem, algo mágico invadiu aquelas almas e corações. O amor, tantas vezes subestimado e posto de lado, surgiu de trás de um monte de sentimentos racionais e tornou as coisas extremamente simples, apesar das complicações.

Um simples olhar nos olhos de manhã ou a saudade incontrolável mesmo quando você sente o outro perto. A eterna trilha sonora que tranqüiliza o mundo mesmo quando tudo está caindo pelas tabelas ou os pensamentos descoordenados que começam a fazer sentido.

Os sonhos começam a se tornar realidade, mesmo que continuem sendo apenas sonhos. Essa é a verdade que buscamos a vida toda. Concretizar os sonhos, mesmo que eles estejam distantes de nós. É óbvio que alcançá-los é ótimo, mas dividi-los, muitas vezes, pode nos trazer sensação semelhante. Dividir ao invés de multiplicar.

O casal, enlameado de amor, tem vontade de morar nos olhos do outro ou de ter uma casa e um cachorro morando no jardim. Tem vontade de acordar cedo num domingo e apenas tomar café enquanto pensam e sonham, juntos, o que serão da vida.

E o melhor: Podem ser tudo o que quiserem ou serem apenas aquilo que são naquele momento. Afinal, isso é o que importa.

O que eu quero?

Eu quero tudo isso todo dia. Silêncio que não perturba. Intimidade infinita. Vontade de morar nos olhos. Acordar no domingo de manhã e preparar café. Vê-la acordar usando a minha camisa do AC/DC toda amassada. Sonhar os seus sonhos e ter a certeza de que a sua felicidade é tão grande quanto a minha.

Só isso que eu quero. Só.

Pataca tira o pé do chão!