Friday, July 17, 2009

Uma dose de verdade




Minha soberba abasta a base da minha cabeça. Sussura solfejos a altura da lua e destrói em solavancos a grande beleza da melancolia. Seu choro contido e próspero se faz próprio de sua tristeza protetora de si mesmo. Esse escudo duro e inviolável em que vives não esconde a metáfora e a ironia da vida. Não perfaz a mediocridade do que sentes e nem enriquece de amor só dos outros. Sua linha tênue, desandada desde sempre, entre a marca e o propósito condiz com seus sapatos de longos saltos e sua vasta cabeleira sempre bem escovada. Suas cores são sempre artificiais, bem notadas combinações de amargura e sofrimento misturadas com essa vaga e indecisa felicidade que sentes vez em quando.

Nas noites claras, onde a luz da noite alumia mais os pensamentos, suas entranhas entram ainda mais pra onde ninguém consegue alcançar. Nos dias escuros, ainda mais soturnos que as noites mais negras, sua imprecisão se torna mais visível e transforma suas virtudes, até então duvidosas, em certezas efêmeras da sua personalidade. Você é mais você quando acha que está sendo má. Você soa mais falsa quando pratica o bem. Esse sereno que paira sobre as suas nuvens sucumbe a toda chuva que enfim possa lhe acertar a prosopopéia e limpar um pouco feiura da sua existência. Sua alma suja e infecta de preconceitos e superficialidades sujeita aos outros a absoluta e transparente medida da sua inconstância.

Seu andar, pé pós pé, sincroniza invertidamente com o balançar de seus braços, mão ante mão. Isso é irritante. Você é, sem dúvida, uma pequena porção daquilo que detesta. Você é, sem dúvida, uma porção generosa da sua insignificância.

Pataca não tem piedade ao escrever.

Tuesday, July 07, 2009

O que é realmente onipresente?


O que são as mãos de Deus ou as mãos divinas? Quais são elas e quem elas suportam de maneira quase insuportável? Quais os caminhos que elas percorrem entre os céus e quais as andanças que permitimos que elas nos guiem?

A dependência do nosso arbítrio, religiosamente falando, compreende a aceitação destes termos divinos ou a simples existência nos dá a possibilidade deste bônus da vida?

Sinceramente não tenho resposta pra essas coisas, mas é engraçado como as coisas convergem de uma maneira que nos fazem questionar, sempre, os nossos próprios dogmas e entendimentos mais sólidos, por mais que eles pareçam cada vez mais concretos.

Tenho, de maneira bem simplista e solitária, questionado algumas coisas que o meu ceticismo nunca deixou. E, apesar de parecer, não acredito mais em Deus do que acreditava antes. Mas, indubitavelmente, algumas coisas me deixam mais perto disso.

E em mais um aspecto da minha vida esse sentimento vem não por causa de mim, mas por causa de pessoas próximas que precisam mais que eu, pelo menos no momento. Não quero parecer altruísta ou coisa parecida, mas a dor dos outros ainda traduz melhor a minha religiosidade do que os meus próprios problemas ou a minha necessidade de fervor.

O meu Deus não parece tão próximo quanto ao que eu desejo às outras pessoas. Me basta a proteção de quem eu quero bem ou a quem eu não suporto ver sofrer. Acho que por isso nunca fui religioso ou nunca tentei ser. Divino é uma palavra que talvez ninguém nunca consiga explicar, mas tenho certeza de que alguns sentimentos traduzem muito mais essa crença do que a própria devoção a algo que o homem criou.

Pataca will be there.

Thursday, July 02, 2009

Hiking clouds!



Ah, os pés sem chão. Os pés acima de tudo que tocamos e conhecemos. Encarando as coisas e escondendo – durante alguns minutos – a nossa capacidade de não esquecer das coisas. Tão importante quanto lembrar é esquecer. Tão importante quanto esquecer é aprender com esse esquecimento. Transformar as lembranças em coisas novas, reciclar e saber que as coisas acontecem sim por acaso, mesmo que esse acaso seja encarado como destino.

E se o destino for só esquecer das coisas ou não parar de lembrar nunca? De nada adianta a mediocridade da razão se a emoção e a adrenalina são as formas que encontramos de fugir das coisas que mais nos assolam. Numa analogia barata, é como se para secar o chão usássemos apenas água.

O que nos alimenta desesperadamente todos os dias é uma coisa que ainda não entendemos bem, uma coisa que está além do alcance da compreensão ou dessa razão que vos falo. Minha razão só serve para dar asas à minha imaginação.

Do alto da minha cabeça, onde meus olhos vêem e meu corpo pensa, os sentimentos se distinguem em duas categorias: as coisas que eu quero loucamente e as outras que não quero loucamente.

A única coisa em comum, é claro, é a loucura e a ânsia de saber distinguir entre as duas.

Pataca, no momento, sabe!