Thursday, June 25, 2009

Puro sangue



O sangue escorre pelos dedos e escarra na máquina o deleite vermelho e viscoso que veste um pedaço da mesa. Também assume a posição de líquido maior deixando a palavra suja e escura a cada apertar de tecla. Denigre a imagem branca da folha e acompanha violentamente o texto que marca – em preto – a luz fria que brilha e reflete na máquina cansada de apanhar a cada palavra escrita. A ferramenta que agora cospe uma tinta suada, aguada e infame é a mesma que escreveu ideologias, sonhos infantis e palavras límpidas e inocentes. Não domina a verdade, não calcula o risco e nem julga os adjetivos. Não mistura sentimentos e se concentra somente naquilo para o que está determinada. É calculista, cheia de parâmetros e investe em novas palavras que pouco dizem e, ainda assim, dizem mais que antes.

Nesse rabisco de sangue, entranha em forma de dor, permanece espessa a crença indigna e a possibilidade mórbida de começar a sujar outras formas de diálogos e expressões sentimentais.

Por fim, as palavras saem assim, meio sangue e meio falácia. Mas enfim, quer coisa mais orgânica que uma poesia escrita com sangue?

Pataca transfusa.

Saturday, June 20, 2009

Meu olhar de saudade



É esse o perfume que me toca. Esse que acabei de sentir e que ainda sinto, mesmo que tenha sido semanas atrás. O cheiro que me proporciona coisas inimagináveis e que aguça a minha saudade a níveis estratosféricos. Meu ânimo aumenta, meu coração aperta e viro criança a cada 7 minutos pra depois voltar a ser adolescente. Meu discurso fica mais animado, mais esperançoso e minha sinceridade se manifesta de maneira intensa, pois pra mim a verdade sempre foi extremamente sexy. Fico bobo, tolo, patético e, talvez essa seja a única situação em que me sinto bem com isso. Minha cegueira se faz presente simbolizando não a razão das coisas, mas a emoção mais pura que possa existir. Fico assim, meio afeto e meio medroso, meio ansioso e meio desesperado.

Esse é o perfume que eu quero e sempre quis. E não me amedronta esse querer absoluto, precipitado e crescente. Pelo contrário. Me afirma e me deixa mais seguro sobre quem eu sou e quem eu sempre fui. As coisas conspiram pra que eu seja menos do jeito que eu sou. Mas de uma maneira irônica e cômica, eu ainda quero ser o que sempre sonhei, apesar dos desmandos da vida.

Eu tô indo cada vez mais longe e as coisas me levam cada vez mais perto. Acho que o segredo é esse: ir o mais longe possível pra voltar rastejando pra onde e pra quem a gente se sente em casa. Jamais subestimarei o destino outra vez.

Pataca olha através da íris

Monday, June 08, 2009

Pataca News!

Sei que ninguém quer chegou aqui e quer encontrar o que vou escrever abaixo, mas é a mais pura verdade.

Não tenho tido tempo nenhum de escrever, mesmo que sejam essas escrotidões que costumo vomitar por aqui. Muitas novidades nessa minha vidinha.

Mudei definitivamente pra SP, mas pelo menos trabalho fazendo o que mais gosto. Não, não é bebendo. Agora me pagam pra escrever! Acho que valeu a pena ter largado o Direito (arghhhh!), o errado e todas as outras coisas que fiz nessa minha tenra e amável jornada profissional.

Eu, que sempre trampei solitário, de cueca no meu quarto, agora trabalho muito vestido - um frio da porra aqui - cheio de gente à minha volta e tenho rotina. Experiência edificante, com prós e contras, mas admito que já estava um pouco cansando de ficar por minha conta o tempo todo.

É isso. Vou voltar a manter o blog atualizado, pois esse espaço é puramente fisiológico pra mim. Só semana passada que não deu. Tava procurando apê, fazendo mudança, trampo novo e outras novidades também... mais pra frente, se tudo der certo, eu conto!
Abraço e beijos!

Pataca SP.