Tuesday, May 26, 2009

Traços, destino e infamidade!



Meu mar calmo anda agitado. Anda com ondas altas e poucas marolas. Bonança não se vê mais, nem mesmo no horizonte. Nem de longe parece a maré calma e torturante que assolava minha canoa. Nesse pedaço de mar preto por onde passo, arremesso as ondas pra cima dos outros com algum pudor. Aprendi - a duras penas - a ser assim, um pouco mais egoísta com os outros e mais fiel comigo mesmo, mas ainda sinto dentro do meu barco as ondas que batem nos barcos alheios. Isso também me fez assimilar um pouco melhor o agito do meu mar e a tornar meu porto um pouco mais seguro. 

A proa aponta o destino que traço naquele filete que já desenhei faz tempo na minha cabeça. A popa desmancha alguns detalhes, deixando pra trás alguns sonhos frustrados, um pouco de arrependimento e a certeza marota e intermitente que assola minha rota. Só o que me importa hoje em dia é ir. Ir, mesmo que sem destino algum ou que seja esse aquele destino que foge das nossas mãos. Ir, mesmo que não haja razão ou que essa razão seja ainda maior que a própria vontade. 

Meu mar cada vez gosta mais do desconhecido e meu barco já balança menos do que outrora. Será agora a minha viagem sem volta? Será agora meu partir sem retorno?

A verdade mesmo é que tanto faz, pois, se a canoa não virar, olê olê olá! (que infame!)

Pataca canta marchinhas de carnaval pra justificar seus textos!

Tuesday, May 19, 2009

Every Breath you take

Esfalfei. Inspirei fundo naquela tarde já tarde da tarde. Respirei de novo ainda no meio da primeira expirada e caí de novo na rotina de cada momento da vida. Respiração. O ar suprimido no peito sai quente e viciado de mim. Sai expelido forte num bufo raivoso que não mais permite a volta ao meu corpo. Sou assim. Mando embora o ar sem raiva nem culpa e nem dou muito valor a cada crescer e descer do meu peito já cansado dessa maré que vive em meu corpo. 

Ar. Ergo a cabeça para que o ar chegue mais fácil dentro de mim. Não chega. O coração palpita, os olhos cerram e a boca seca. Nada mais me importa. O último suspiro, demasiadamente longo, é também a hora que penso naquilo que deixei de respirar. Bloqueio, por convenção, a entrada de um novo ar, mais limpo, mais puro ou simplesmente diferente. Essa tentativa de crime contra meu corpo não exprime uma sensação ou uma vontade consentida. Exprime tão somente a verdade contida nesse corpo e mente devoluta. 

Outros ares. Estão lá meus outros ares, ali, um pouco mais além. Estão lá esperando para serem respirados e encherem de novo meus pulmões com esperança. A esperança precisa ter a audácia do desespero para valer como o ar que se respira.

Esse ar, que me consome. Essa audácia, que muito me falta.

Pataca goosfraba!

Sunday, May 10, 2009

Sem sentido.


Estou cego a todas as músicas e não ouço mais o olhar da musa. A dúvida cobriu minha cara e descerebrou meus olhos. Me imaginou distante e me trouxe de volta no segundo seguinte, sem sequer me dar o prazer da poesia. Já a mim nenhuma cena soa mais torta e opaca do que a minha imagem em carne viva. Crua, a pele vermelha distorce a realidade e surta o pouco que restou do meu coração nu. E continua nu.

Estou surdo a todas as imagens e não vejo mais o cantar da musa. A certeza desmascarou minha cara e cerebrou meu método. Me imaginou mais perto e me levou além no segundo seguinte, me dando prazer e poesia. Já a mim, todas as cenas soam tortas e vívidas, como a minha imagem sem carne e nem pele. Crua, minha pele pálida converge a realidade e racionaliza muito do que restou do meu coração duro. E continua duro.

Estou cego e surdo a imagens e músicas. Não vejo e nem ouço mais o canto e o olho da musa. No segundo seguinte já não tenho razão e nem emoção, muito menos poesia e prazer. Já a mim, quanto mais vivo, mais fico incauto e minhas cenas ficam mais comprometidas com a minha carne, cerebral ou marginal. Crua, minha pele é a mesma de todos os dias e não mais mantém a relação promíscua com meu coração. Que continua nu. E duro.

Pataca nu e cru.