
Meu mar calmo anda agitado. Anda com ondas altas e poucas marolas. Bonança não se vê mais, nem mesmo no horizonte. Nem de longe parece a maré calma e torturante que assolava minha canoa. Nesse pedaço de mar preto por onde passo, arremesso as ondas pra cima dos outros com algum pudor. Aprendi - a duras penas - a ser assim, um pouco mais egoísta com os outros e mais fiel comigo mesmo, mas ainda sinto dentro do meu barco as ondas que batem nos barcos alheios. Isso também me fez assimilar um pouco melhor o agito do meu mar e a tornar meu porto um pouco mais seguro.
A proa aponta o destino que traço naquele filete que já desenhei faz tempo na minha cabeça. A popa desmancha alguns detalhes, deixando pra trás alguns sonhos frustrados, um pouco de arrependimento e a certeza marota e intermitente que assola minha rota. Só o que me importa hoje em dia é ir. Ir, mesmo que sem destino algum ou que seja esse aquele destino que foge das nossas mãos. Ir, mesmo que não haja razão ou que essa razão seja ainda maior que a própria vontade.
Meu mar cada vez gosta mais do desconhecido e meu barco já balança menos do que outrora. Será agora a minha viagem sem volta? Será agora meu partir sem retorno?
A verdade mesmo é que tanto faz, pois, se a canoa não virar, olê olê olá! (que infame!)

4 comments:
Pataca,você conseguiu um feito inimaginável.
Teu texto tem TODAS as palavras do meu momento,TODAS.
E a marchinha de carnaval é do que mais tenho medo.MEDO
E meu barquinho neste momento está fazendo água....
Bjo
É sempre bom respirar novos ares...mas espero que vc volte!!!Rsrs...bjo e boa sorte no seu novo trajeto!!
Será quee um dia a gente aprende a não se deixar atingir pelas ondas dos barcos alheios?
Bjos,
Lara
Adorei o texto... Como adoro frutas vermelhas ;-)
Ás vezes, gosto tanto do que leio, que tenho vontade de agradecer...
Então... obrigada, obrigada, obrigada!!!!
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